Contos e romances que publiquei

"A caminho da colônia penal" em 2084: Mundos Cyberpunks

— Vamos ver se eu entendi — Alê perguntou meio que para todos nós. — Tão me dizendo que a colônia penal em Marte é o pior lugar do mundo? Pois eu digo mesmo sem ter pisado lá: vou viver naquele lugar minhas merecidas férias com comida e um teto a troco de trabalho braçal. A gente vive em condições tão ruins que não percebemos o canto ainda mais escuro da sociedade ali pertinho, escondido bem na nossa cara. Porque lá os figurões esquecem aquilo que nem nós podemos ver. Não tava procurando por isso quando encontrei a sujeira debaixo dos nosso narizes.

"Você se tornou um risco" e "Alguém espreita Tetambaú" em Não pretendia criar discórdia

Trecho de "Você se tornou um risco": Foi a última vez que estive com Carla. Sempre que ela sentava no banco do motorista, suspirava e chacoalhava os ombros como se estranhasse a leveza. Demorava para apertar o botão de partida, eu então falava com ela enquanto tudo ia se ajustando; ouvia-a resmungar sobre o dia que teve no trabalho antes de se interromper dizendo que não queria mais pensar a respeito daquilo, como acontecia todas as noites.

"Obsolescência programada" em Eros Ex Machina - Alink Editora

Roger, ele e eu mantemos distância um do outro na sala de casa com a tensão ocupando o espaço entre nós. Ainda está claro lá fora, a avenida que fica bem embaixo da janela é a única coisa que se ouve aqui dentro. Sentado no braço direito do sofá, está Roger com o rosto afundado nas próprias mãos; vejo que quer falar e não consegue porque no momento não sabe o que me dizer — tem uma decisão a tomar. Eu também não digo nada. Estou em dúvida entre abraçá-lo ou esganar o invasor, um pobre coitado que ainda nem acordado está. Neste momento algo dentro de mim saltita quando penso em Roger, quando tento entender o que sinto por este homem, quando penso na minha paixão — um substantivo concreto do qual sou feita.

Chamado à Razão

As pernas curtas procuravam no resto do corpo algum motivo para continuarem no ritmo que estavam havia algumas horas. Os braços doíam do movimento intenso e repetitivo que era tão necessário ao equilíbrio. No peito o palpitar que se esforçava para manter as ordens dadas pelo cérebro aos membros exaustos lutava para não falhar. Os olhos não enxergavam mais nada além do destino à frente, eles não precisavam funcionar tão bem quanto o resto do corpo, a vida estava na capacidade de correr o mais ráp
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